sexta-feira, 31 de maio de 2013

E agora para algo completamente diferente...

Chegar a Joanesburgo foi um pouco estranho. De repente estávamos de volta à civilização, com auto-estradas, carros grandes e caros, lojas, centros comerciais, enfim... A cidade. E Joanesburgo é mesmo uma grande cidade. Toda a gente anda de carro e quase não se vêem pessoas a pé, não só pelas grandes distâncias mas também porque é um local com alguma criminalidade. Já não estávamos habituados a grandes cidades, mas reconhecemos que também há muitas coisas que se podem aprender aqui.

Ficámos na zona Melville, uma das zonas mais seguras para um turista. Tem uma rua onde se concentram vários restaurantes, lojas e bares e é fácil circular a pé, mas é também uma zona cara...

É em Joanesburgo que fica o Apartheid Museum e foi também aqui que viveu Nelson Mandela, o grande herói da História Sul Africana. Para nós Nelson Mandela é um nome que sempre esteve presente, mas não tínhamos noção da verdadeira importância deste homem. Ainda no aeroporto decidimos comprar a auto-biografia de Mandela, na versão reduzida, porque a completa era pesada e grande demais para andar connosco de um lado para o outro nas nossas mochilas já sobre-carregadas de souvenirs (para além das mochilas já levamos uma cesta Malagasy cheia de presentes, e temos a sorte de termos pessoas em Moçambique que nos vão levar para Portugal as compras que lá fizemos, maioritariamente artesanato muito bem negociado). A verdade é que não sabíamos mesmo nada sobre Mandela, mas lendo e visitando os locais em simultâneo ficamos com uma relação muito mais próxima da História. Durante as nossas viagens há sempre tempo para ler, seja o "Kafka à Beira Mar" do Haruki Murakami ou o "O Nosso Reino" de Valter Hugo Mae, mas ler livros relacionados com os sítios que visitamos torna as viagens mais completas.

É impossível ficar indiferente quando se visita o Apartheid Museum. Pensar que a separação de raças e discriminação durou tanto tempo é assustador. Foram 46 anos em que qualquer raça que não branca era discriminada: foram re-alojados em bairros específicos, em escolas específicas, com cartões de identidade em que era especificada a cor da pele e origem. Esta discriminação não era só feita aos Sul Africanos nativos, mas também aos imigrantes oriundos da Ásia que vieram para a África do Sul para trabalhar nas minas de ouro.

Muitos de nós ainda nos lembramos da libertação de Nelson Mandela em 1990. 1990? Sim, é mesmo recente... Foram 27 anos de encarceramento por se opor ao regime do Apartheid e nunca desistir dos seus ideais. Na nossa estadia em Joanesburgo visitámos também a sua casa, agora convertida em museu, em Orlando West na zona de Soweto (diminutivo para South Western Townships). Foi nesta zona que vários estudantes foram alvejados nos protestos anti Apartheid nos anos 70, incluindo Hector Pieterson de 12 anos, cuja imagem percorreu o mundo.

Aquilo que ouvimos nas notícias e que lemos nos livros de História ganha outra dimensão quando o vemos de perto. Ficámos realmente emocionados com as imagens e relatos de uma História tão triste.






And now for something completely different...

Arriving in Johannesburg was a bit strange. All of a sudden we were back to civilization, with high-ways, big and expensive cars, shops, malls, well... The city. And Johannesburg is a huge city. Everyone drives a car and there's almost no one to be seen walking on the streets, not only because of the big distances but also because it is a place with some criminality. We weren't used to big cities anymore but we recognize that there's also a lot to be learnt here.

We stayed in the Melville area, one of the safest for a tourist. There's a street with lots of restaurants, shops and bars and it's easy to walk around, but it's also an expensive area...

The Apartheid Museum is in Johanesburg and here's also where Nelson Mandela lived, the greatest hero of South African History. For us the name Nelson Mandela has always been present, but we had no idea of the real importance of this man.
At the airport we decided to buy Mandela's auto biography, in the short version, because the full one is too big and heavy to carry around in our bagpacks over loaded with souvenirs (apart from the bagpacks we're also carrying a Malagasy basket full of presents, and we're lucky to have people in Mozambique who are going to take back to Portugal the things we bought, mainly very well bargained arts and crafs). The truth is we really didn't know anything about Mandela, but reading and visiting the places at the same time draws us closer to History. There's always time to read during our journeys, either "Kafka On The Shore" by Haruki Murakami or "Our Kingdom" by Valter Hugo Mae, but reading books related to the places we visit makes our journeys more complete.

It's impossible to be indifferent when you visit the Apartheid Museum. Thinking that discrimination and racial segregation lasted for so long is scary. It was 46 years in which any other race that not white was discriminated: they were re-located in specific neighborhoods, specific schools, with IDs specifying skin color and origin. This discrimination was applied not only to the native South Africans, but also to the Asian immigrants who came to work in the gold mines.

A lot of us still remember when Nelson Mandela was set free in 1990. 1990? Yes, it's that recent... He was in prison for 27 years for standing out against the Apartheid a never giving up on his ideals. During our stay in Johannesburg we also visited his house, now a museum, in Orlando West in the Soweto area (short name for South Western Townships). This area is also where many students were shot during the anti Apartheid protests in the 70s, including 12 year old Hector Pieterson, whose picture travelled the world.

What we hear in the news and read in History books has another dimension when we see it up close. We got really emotional with the pictures and reports on such a sad History.










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